Biocombustíveis
Um futuro Promissor para os Biocombustíveis
O Brasil larga na frente para fornecer combustíveis renováveis e menos poluentes do que o petróleo
Vivemos num mundo em que a questão energética ganha importância crescente. O amplo consumo de combustíveis fósseis, sobretudo o petróleo, caminha para um impasse, tanto ambiental
- pois seu uso amplia o aquecimento global
- quanto econômico - pois suas reservas caminham para um esgotamento.
Nesse cenário, urna vertente promissora do agronegócio, na qual o Brasil está na vanguarda, é o desenvolvimento de combustíveis feitos de matéria-prima orgânica, os biocombustíveis. Estão em andamento em vários centros brasileiros de pesquisa estudas sobre a produção de combustíveis a partir de plantas corno soja, girassol, rícino, algodão e mamona. A Embrapa trabalha num produto à base de gordura animal. A Petrobras já está vendendo o H-hio, mistura de diesel com óleos extraídos de oleaginosas.
Até agora, a principal matéria-prima para a fabricação de combustível orgânico é a cana-de-açúcar. Além da longa tradição de produção canavieira, o Brasil domina o processo de fabricação do álcool combustível desde a criação do Programa Brasileiro do Álcool (Proálcool), em 1975,
Hoje, o setor sucroalcooleiro movimenta 20 bilhões de reais por ano e é o principal agente do Programa Nacional
de Biocombustíveis. As empresas do setor recebem ajuda também do Ministério da Agricultura e do Banco Japonês de Cooperação Internacional.
O processo é incentivado pelo aumento da frota de veículos flexíveis que funcionam com mais de um tipo de combustível. E estimulado ainda por um acordo bilateral Brasil-Alemanha para a produção subsidiada de 100 mil veículos movidos a álcool, com o objetivo de colaborar para que os alemães cumpram seu compromisso com o Protocolo de Kyoto, que prevê a redução na emissão de poluentes.
O Proálcool, criado em 1975, em plena crise mundial do petróleo, era um esforço de substituição em larga escala dos combustíveis tradicionais. Graças a ele, até 2000 foram produzidos cerca de 5,6 milhões de veículos a álcool hidratado. Mas, a partir de 1986, o preço do barril de óleo bruto caiu de 40 para 12 dólares. A mudança coincidiu com a falta de recursos públicos para subsidiar combustíveis alternativos, e o Proálcool perdeu força.
Agora, tudo mudou. Um estudo da Única, a associação dos produtores, indica que o setor terá de atender até 2010 a uma demanda adicional de 10 bilhões de litros de álcool por ano.
Cana, Estrela e Vilã
A expansão da produção de cana-de-açúcar vai agravar problemas ainda não resolvidos da lavoura canavieira. Os principais são relacionados ao meio ambiente. A queimada da palha após a colheita, além da poluição, que provoca doenças respiratórias, também causa sérios danos ao solo. A vinhaça, resíduo das destilarias de álcool, com o tempo pode contaminar os lençóis feáticos. Hoje, a indústria do setor desenvolve métodos para o uso da vinhaça como fertilizante e há leis fixando prazos para o fim das queimadas.
Outra questão é a do trabalho. Há muitos acidentes graves entre trabalhadores, e só no estado de São Paulo morreram 13 bóias-frias em 2004 e 2005. O ritmo fatigante do corte de cana, sem intervalos para descanso nem alimentação adequada, causou a morte por exaustão dos trabalhadores. Em agosto de 2006, fiscais do Ministério do Trabalho encontraram e libertaram 430 bóias-frias que realizavam trabalho escravo para usineiros paulistas.
Resumo
BIOCOMBUSTÍVEIS
O país tem investido na criação de combustíveis produzidos a partir de material orgânico, como soja, mamona, girassol, rícino, algodão e até gordura animal. A Petrobras já vende nos postos uma mistura de diesel com óleo vegetal, o biodiesel. A larga experiência brasileira faz da cana-de-açúcar a principal matéria-prima. 0 Brasil produz álcool para carros desde os anos 1970.
Fonte: Almanaque Abril (Atualidades Vestibulares, Ed. Abril, 2007)